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Geral 17 de maio de 2022

Servidores federais da educação e outras categorias iniciam greve buscando por reajuste salarial

Servidores federais da educação básica, profissional e tecnológica iniciaram uma greve geral nesta segunda-feira (16) para pressionar o governo a conceder reajuste salarial. A paralisação foi aprovada em assembleia em abril e deverá acontecer por tempo indeterminado, ou seja, sem data para terminar.

 

A categoria exige recomposição salarial de 19,99% para o funcionalismo público. O valor é referente à inflação dos três anos do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), entre 2019 e 2021.

 

De acordo com o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), a mobilização acontece para iniciar uma “luta com um mapa de greve forte, capaz de pressionar o governo federal a recuar de suas negativas e abrir negociação com os servidores públicos”.

O sindicato afirma estar “tentando negociar o fim do congelamento salarial, que já dura quase cinco anos para os técnico-administrativos e quase três anos para os docentes da nossa base”. Os profissionais alegam que, nesse período, assistiram “a gasolina sair de R$ 2,60 para R$ 7,80; o botijão de gás sair de R$ 35,00 para R$ 120,00; e o quilo da carne sair de R$ 18,00 para R$ 50,00 – isso tudo sem nenhum reajuste!”.

“A gente precisa somar forças e construir um movimento unificado. O governo tem dinheiro, mas insiste e dizer que não vai negociar. Se ele não vai negociar, nossa última estratégia é a greve, uma tentativa para nos colocar minimamente com um salário reposto”, declarou Daniel Neri, um dos coordenadores da mobilização do Sinasefe, que já tem pelo menos duas seções sindicais com trabalhos paralisados.

 

Outras representações nacionais da educação discutirão o início de greve. A Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) e o Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) convocaram assembleia no sábado (21) para debater a pauta de reivindicações e consolidar uma possível paralisação conjunta com o Sinasefe.

 

“O governo insiste em não negociar com as categorias e a mobilização será intensificada”, avisou a Fasubra.

Servidores de carreiras previdenciárias também interromperam as atividades. A greve da Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) estão de braços cruzados há mais de 50 dias, seguindo o movimento dos servidores do Banco Central, que retomaram a paralisação em 3 de maio.

O presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas do Estado (Fonacate), Rudinei Marques, prevê outras paralisações ou decisões semelhantes nesta semana. Ele cita servidores do Tesouro Nacional, da Controladoria-Geral da União e analistas de planejamento e orçamento do governo.

 

Marques espera, ainda, que a pressão dos funcionários da Receita Federal e da Polícia Federal sobre o governo Bolsonaro irá aumentar.

“As mobilizações realmente se intensificaram em razão de que o calendário orçamentário e legal está fechando. Nós avaliamos que essas duas semanas serão decisivas para a definição dessa campanha salarial”, destacou.

 

No final de 2021, Bolsonaro anunciou reajuste para o funcionalismo público. Com apenas R$ 1,7 bilhão de reserva no Orçamento de 2022 para essa finalidade, o mandatário recuou do plano geral e decidiu priorizar carreiras policiais com o aumento de salário.

 

A decisão gerou reação generalizada entre outras categorias, que iniciaram mobilizações e reclamaram da falta de abertura para negociações com o governo.

Já neste ano, a equipe econômica anunciou uma proposta de reajuste linear de 5%, mas não houve a oficialização. O índice, considerado baixo pelas categoriais públicas, não freou movimentos grevistas.

 

Por conta do ano eleitoral, o prazo para a concessão de reajustes está perto do fim. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) proíbe um presidente de aumentar o gasto com pessoal nos últimos 180 dias do mandato. Dessa forma, o governo teria que decidir sobre as reivindicações até junho para mudar a folha de pagamentos de julho.

 

Fonte: O Tempo

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