Entidades representativas pressionam o Ministério da Gestão e da Inovação por medidas que reduzam as distorções entre carreiras do Executivo Federal. Ao mesmo tempo, o governo sinaliza que pode reservar recursos no Orçamento de 2027 para uma nova rodada de negociações salariais.
O que está acontecendo
Em ato realizado em frente ao MGI, servidores ligados à Condsef/Fenadsef defenderam a correção das diferenças salariais existentes entre carreiras do Executivo Federal. A mobilização também cobrou valorização do serviço público, recomposição das perdas inflacionárias e maior isonomia entre os servidores.
A pressão ocorre enquanto representantes do governo discutem a possibilidade de incluir recursos para novos reajustes na proposta orçamentária de 2027. Segundo informações divulgadas pelo Proifes-Federação, o tema deve ser tratado em uma reunião extraordinária da Mesa Nacional de Negociação Permanente.
Governo ainda não confirmou reajuste
A possibilidade de reservar recursos para 2027 não significa que um reajuste já tenha sido aprovado ou que os servidores tenham aumento garantido.
A efetivação de qualquer correção dependerá de vários fatores:
- previsão no Orçamento de 2027;
- autorização na Lei Orçamentária Anual;
- negociação com as entidades representativas;
- aprovação de medidas legais, quando necessárias;
- cumprimento das regras fiscais;
- definição de quais carreiras serão incluídas.
A proposta da LOA deve ser encaminhada ao Congresso até 31 de agosto, mas a inclusão de uma previsão orçamentária não garante, por si só, o pagamento do reajuste.
PLDO 2027 mantém possibilidade de reajustes
A análise do PLDO 2027 feita pelo Dieese, a pedido da Condsef/Fenadsef, indica que o texto mantém a possibilidade de:
- reajustes salariais;
- reestruturação de carreiras;
- criação ou transformação de cargos;
- realização de concursos;
- nomeações de aprovados.
No entanto, todas essas medidas continuam condicionadas à disponibilidade de recursos e às regras do arcabouço fiscal. Pela regra atual, o crescimento das despesas com pessoal fica limitado à inflação medida pelo IPCA acrescida de 0,6% de ganho real.
Na prática, esse limite pode reduzir o espaço para reajustes mais amplos e para a criação de novas despesas permanentes.
Quem pode ser afetado?
| Grupo | Possíveis efeitos |
|---|---|
| Servidores ativos | Podem ser incluídos em futuras negociações salariais e reestruturações de carreira |
| Aposentados | Poderão ser beneficiados quando o reajuste tiver efeito sobre a remuneração vinculada à paridade, conforme a situação funcional |
| Pensionistas | Poderão ser alcançados de acordo com as regras da pensão e do benefício original |
| Empregados públicos | Dependem das regras específicas da empresa estatal e dos acordos aplicáveis |
| Servidores estaduais e municipais | Não são automaticamente incluídos, pois possuem legislação e orçamentos próprios |
Benefícios e auxílio-nutrição
As entidades também defendem a equiparação dos benefícios pagos aos servidores dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
O PLDO 2027, porém, não prevê de forma explícita essa equiparação. O texto também mantém limites para possíveis reajustes do auxílio-alimentação e do auxílio pré-escolar, que não poderiam superar a inflação acumulada desde a última revisão.
Outra reivindicação é a criação de um auxílio-nutrição para aposentados e pensionistas. A medida ainda não possui previsão orçamentária e, segundo as informações divulgadas, depende de estudos do governo e da aprovação de legislação específica.
Negociação coletiva também está na pauta
Durante a reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente, representantes do MGI teriam se comprometido a cobrar do Congresso a aprovação do projeto que regulamenta a negociação coletiva no serviço público.
O PL 1.893/2026, relacionado à regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho, pretende estabelecer diretrizes para a negociação coletiva e a representação sindical na administração pública.
Enquanto o projeto não for aprovado e entrar em vigor, a negociação entre governo e entidades continua dependendo dos instrumentos institucionais existentes, como a Mesa Nacional de Negociação Permanente.
O que o servidor precisa saber agora?
Até o momento, não há confirmação de um reajuste geral para todos os servidores federais em 2027.
O cenário indica que:
- entidades estão pressionando por correção das distorções salariais;
- o governo avalia reservar recursos para futuras negociações;
- o PLDO permite reajustes, mas impõe limites orçamentários;
- a LOA de 2027 ainda precisa ser enviada e aprovada;
- aposentados e pensionistas devem ser analisados conforme as regras específicas de cada benefício;
- novas informações devem surgir durante as negociações e a tramitação do orçamento.
Conclusão
As duas movimentações mostram que a discussão sobre os salários dos servidores federais para 2027 já começou, mas ainda está em fase de negociação.
De um lado, servidores e entidades cobram a correção das distorções entre carreiras e a recomposição das perdas salariais. De outro, o governo sinaliza que pode reservar recursos para uma nova negociação, desde que haja espaço no orçamento e compatibilidade com as regras fiscais.
Portanto, a possibilidade de reajuste existe, mas não há aumento aprovado nem calendário de pagamento definido. A principal etapa de acompanhamento será o envio e a tramitação da proposta da LOA 2027 no Congresso Nacional.
Atualização: 25 de agosto de 2026.













