Cargos de servidores federais poderão ser automatizados até 2030

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Cargos de servidores federais poderão ser automatizados até 2030

Uma pesquisa realizada pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap) vinculado ao Ministério da Economia, estima que a tecnologia poderá substituir o trabalho de até 53,6 servidores públicos federais que poderão se aposentar em 2030.

O estudo realizado por Leonardo Monasterio, coordenador-geral de Ciências de Dados da Enap, Adelar Fochezatto e Willian Adamczyk, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, analisou a probabilidade de automação dos cerca de 520 mil servidores federais e cruzou os dados com a expectativa de aposentadorias até a década de 2050.

Segundo analise, as substituições tendem a aumentar com o passar dos anos. Em 2040, 68,2 mil servidores que se aposentarão poderão já ter suas atividades automatizadas. Em 2050, esse número total alcançará 92,3 mil.

Ainda em 2020, a proporção dos cargos vagos por aposentadoria que poderiam ser substituídos ou extintos por serviços digitais alcançou o patamar de 27%. Dos 13.916 servidores que se aposentaram no mesmo ano, 3.774 ocupavam cargos com grande chance de serem terceirizados ou automatizados conforme divulgado pelo Painel Estatístico de Pessoal do Ministério da Economia.

 

Situação dos cargos

A automação dos cargos pode atingir principalmente as áreas que exigem menor nível de escolaridade e menor média salarial. Entre eles estão os cargos de assistente administrativo (73.208 servidores), datilografo (4.559) e auxiliar de escritório (8.022).

Demais ocupações também possuem altas chances de serem substituídas como pedreiro, pintor de obras, armador de estrutura de concreto armado, carpinteiro, técnico em programação visual e gráfica, técnico de sistemas audiovisuais, assistente e operador de mídias e cenotécnico. O estudo analisou outras ocupações extintas ou terceirizadas em reformas de 2018 e 2019, como motorista, trabalhador agropecuário em geral e auxiliar de biblioteca.

As funções com menor risco de sofrer mudanças exigem escolaridade mais alta, especialização ou atividades pertencentes ao cuidado com o ser humano. Essas poderão permanecer sendo realizadas por servidores.

As principais ocupações nessas categorias são psicólogo clínico, biólogo, perito criminal, gerente de serviços de saúde e pesquisador de qualquer área da ciência. A lista também cita publicitários e redatores, relações públicas e gerentes de produção, economistas, geógrafos, engenheiros e antropólogos.

 

Metodologia

 

O estudo analisou os servidores civis ativos, de acordo com seu vínculo principal, que trabalhavam 40 horas semanais ou mais em dezembro de 2017. Á partir desse filtro, foram analisadas as informações de 521.701 servidores de um total de 627.284 pessoas que compõem o serviço público federal.

Além dos dados que constam no Sistema Integrado de Administração de Pessoal (Siape) de 2017, a pesquisa teve base na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO-2002) e na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), de responsabilidade do Ministério da Economia.

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